Dinheiro da empresa e a necessidade de renda dos sócios

Dinheiro da empresa e a necessidade de renda dos sócios

Tenho recebido aqui no blog, diversas perguntas sobre o comportamento dos sócios na empresa, principalmente quanto à retirada de dinheiro. Dá para ver como é vital para os sócios entenderem a diferença entre renda pessoal e o dinheiro da empresa. Por isso volto novamente a esse assunto, pois um comportamento inadequado ao lidar com o dinheiro da empresa, pode inviabilizar o negócio.

A operação de uma pequena empresa costuma ocupar todo o tempo das pessoas, exigindo dedicação exclusiva. Também é comum que os sócios que trabalham na empresa tenham esta como a única fonte de suas rendas.

Mas, cuidado, o fato da família se dedicar à operação da empresa, não significa que a empresa conseguirá sustentar a família.

Na pequena empresa é comum confundir a necessidade familiar de renda com a remuneração das pessoas que nela trabalham. São duas coisas completamente diferentes.

Os sócios podem contar com duas contribuições da empresa para ajudar na renda familiar:

a)      Salários para os membros da família que forem empregados da empresa e também pró-labore para os sócios que trabalharem nela.

b)      Lucro que for distribuído aos sócios, após apuração do resultado de um período de tempo.

Mas note que os salários nunca deverão ser superiores àqueles que se pagaria aos empregados, não-familiares, na mesma função. Além disso, a empresa não deve ser utilizada para empregar familiares em trabalhos desnecessários. Da mesma forma, o pró-labore é o pagamento que o dono ou sócio recebe por trabalhar na empresa.

Se um sócio não trabalhar na empresa não deverá receber pró-labore. E ainda, para aquele que se dedicar à empresa o valor do pró-labore não deve ser superior ao salário que seria pago a um funcionário na mesma posição.

Pró-labore remunera o trabalho que sócio realizar na empresa.

Exemplo: Uma determinada empresa tem dois sócios. Cada um retira mensalmente R$2.000,00, como pró-labore. Mensalmente a empresa gera lucro de R$6.000,00 que é distribuído em partes iguais de R$3.000,00.

Assim, cada sócio recebe da empresa um total de R$5.000,00, ou seja, R$2.000,00 de pró-labore mais R$3.000,00 de lucro distribuído.

Se estes sócios tiverem despesas familiares superiores a R$5.000,00 cada um, de onde eles completarão a necessidade pessoal de renda? Com certeza não poderá ser da empresa, pois se retirarem dela mais dinheiro esta se tornará inviável. Alguma conta não será paga. Pode ser que no dia-a-dia isto não seja percebido, se for intenso o fluxo de entrada de dinheiro com as vendas e saída de dinheiro com pagamento de contas. Mas é assim que surge o tal “rombo” nas contas da empresa.

Os sócios não podem dizer que pelo fato de se dedicarem todo tempo à empresa, esta tenha de suprir a renda desejada de cada um. Não é assim que funciona.

Cada empresa e cada investimento têm um limite de geração de recursos. Dois erros são largamente cometidos: primeiro o de retirar da empresa o que se precisa sendo mais do que ela pode contribuir; segundo, montar um pequeno negócio e se acomodar nele.

Afinal, pequeno empresário é somente uma expressão, que, de fato, não existe. Existe empresário de pequena empresa. A empresa pode ser pequena, mas o empresário precisa pensar grande, ousar, e ter mais do que um pequeno negócio. Crescer. Empreender sempre.

A.Carlos de Matos

Consultoria em Gestão Empresarial                                                                                                                                                                                          Capacitação Gerencial                                                                                                                                                                                                                                 Diretor de Operações do IBELG – Instituto Brasileiro de Excelência em Liderança e Gestão 

Diretor Executivo da MR Results Gestão Empresarial Ltda

www.ibelg.org.br                                                                                                                                                                                                         WWW.mrresults.com.br    

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22 thoughts on “Dinheiro da empresa e a necessidade de renda dos sócios

  1. Olá Boa tarde,

    No início de 2013 entrei como sócia num restaurante, com mais 2 irmãos, coube a mim o investimento total no negócio, e meus irmãos entraram com a ideia e trabalho, porém trabalhei também, os 3 sem remuneração, até que não aguentei mais e vendemos o restaurante após 6 meses. O valor recebido na venda foi utilizado para quitar algumas dívidas e 1/3 deste valor ficou para mim para cobrir parte do que eu investi +/- 1/3 do investimento sem juros). Juntamente com o restaurante montamos um quiosque de sucos, que esta indo bem até hoje.
    Ficou combinado que os outros 2/3 do valor que investi no início seria pago pelo quiosque. Minha dúvida é a seguinte, meus irmãos entraram na sociedade sem investir nada, hoje somente eles trabalham no negócio e tem seus pro-labores, eu não recebo nada…o problema é que o quiosque ainda paga conta do restaurante (com o lucro) e a minha parte sempre fica por último…resumindo tudo está no meu nome e não tenho nenhum tipo de retirada ( alem de estar precisando do dinheiro investido. Pergunto: Meus irmãos tem o direito de pro-labore mesmo eles terem entrado no negócio com a ideia e trabalho? Estou perdida!!

    agradeço desde já , Patricia Sandoval

    • Prezada Patricia;

      É simples. Seus irmãos, como trabalham no atual negócio, têm direito ao pró-labore para compensar o trabalho, se estiverem oficialmente como sócios. Este valor é semelhante ao que seria pago a alguém não sócio.

      Falta apenas vcs apurarem o lucro mensal, e este pode ser dividido pelos 3 ou pagar a vc se foi o combinado.

      Então basta aprenderem a apurar o lucro. Compreendeu?

      Boa sorte

  2. Gostaria de saber se o sócio de uma empresa vende um imovel em nome da empresa e ele vai precisar de todo este dinheiro para pagar uma conta pessoal, qual a forma correta contabilmente para ele fazer esta retirada sendo que ele não tem lucro acumulado para retirar.

    • Prezada Adriana

      Se entendi direito, penso que não há como misturar as questões.

      O que é da empresa, é da empresa, pessoa jurídica.

      O correto seria considerar o valor como lucro distribuído. O lucro pertence aos sócios, e pode ser retirado da empresa para a pessoa física, pois em sua apuração já houve a incidência do IRPJ e da CSSL.

      Mas converse com o contabilista que assessora sua empresa, é o melhor caminho.

      Boa sorte

  3. Olá sou proprietário de uma microempresa, tenho a minha mãe como sócia só por fachada, ela não recebe nada, só eu que trabalho na empresa e não tenho funcionários, no caso eu sou obrigado a tirar um pró-labore todo mês
    ? Em vez do pro-labore eu posso fazer a retirada dos lucros todos os meses e depositar na minha conta física e no caso essa retirada ela é isenta de imposto de renda de pessoa física ?
    Obrigado

    • Prezado Marcelo

      Se você trabalha na empresa deveria fazer retirada pró-labore mesmo que de um SM, e recolher os encargos devidos.
      E o lucro que for apurado, você poderá retirar, e não pagará IR, pois se a empresa for optante do SIMPLES ou do Lucro Presumido, não haverá encargos sobre o lucro resultante do exercício, mas sobre o faturamento. Para o ajuste anual do IRPF, seu contador poderá fornecer declaração sobre o pró-labore, encargos recolhidos e do lucro distribuído, já livre de IR.

      Quanto à sua mãe, se estiver no contrato social, ela é sua sócia de fato e de direito. Com direito à parte de lucro correspondente às suas cotas.

      Esta expressão “fachada” que vc comentou, não é verdadeira.Ela é sócia com direitos e obrigações perante a lei.

      Boa sorte

  4. sou socia proprietaria de uma (ME) prestamos serviços de reformas de imoveis mas não estamos conseguindo ter uma margem de lucro
    estamos um pouco perdidos mas agora vou tentar colocar em pratica o que li
    obrigado.

  5. Bom dia, trabalho em uma empresa, ganho em cima do meu salário 40% há mais de 5 anos, mas só que a empresa que tirar essa porcentagem e indenizar. Queria ter uma base de como calcular essa indenização.

    • Prezado Abraão

      Procure um advogado trabalhista pois são vários aspectos que devem ser considerados. No caso de de incorporação ao salário, deve também considerar todos os encargos trabalhistas. Inclusive do passado (!?).

      Boa sorte

      Matos

  6. Olá. Li o seu blog, e foi muito esclarecedor em vários sentidos, porém estou com uma dúvida com relação ao meu empreendimento.

    Sou sócia-proprietrária de um studio de pilates juntamente com outra sócia e possuímos três fisioterapeutas funcionárias. Todas nós (5) prestamos atendimentos de pilates com cargas horárias distintas. Pagamos as nossas funcionárias por valor hora.

    A dúvida levantada é se nós sócias devemos receber o mesmo valor/hora de atendimento que as outras funcionárias ou a mais? Vale informar que o valor pago pelos clientes é o mesmo independente do profissional que o irá atender. Também informo que uma das sócias possui mais horas de atendimentos que outra.

    Atualmente nós, sócias, recebemos o mesmo valor/hora que as funcionárias, além da divisão dos lucros.
    Portanto, gostaria de saber, como podemos dividir os valores em atendimentos, pro-labore e divisão dos lucros. Até que ponto é justo aumentar o valor de atendimento das sócias se elas exercem a mesma função que as outras funcionárias? Estamos num impasse de opiniões sobre este assunto e portanto seria de grande valia receber um aconselhamento externo.

    Desde já agradeço.

    • Prezada Mariana

      Os sócios podem negociar várias possibilidades. Mas a melhor organização é a seguinte:

      Os sócios que trabalharem na empresa podem fazem retirada de pró-labore como compensação justa pelo trabalho que realizarem. A forma do justo é exatamente considerar o valor do trabalho como se fosse um funcionário,pois o que os sócios devem receber é o lucro que for gerado, após decidir quanto do lucro voltará para a empresa na forma de melhorias e crescimento.

      Em resumo:
      1 – Retirada de pró-labore pelo mesmo valor hora dos funcionários.
      2 – Proceder mensalmente a apuração de lucro (faça isso corretamente)
      3 – Decidirem quanto do lucro será distribuído para as sócia: se tudo ou parte.
      4 – Decidir o que fazer (e já fazer) com a parte do lucro que ficar retida na empresa.

      Sócios recebem lucro. Trabalhador recebem pagamento pelo trabalho.

      Abraço
      Boa sorte

  7. Olá,
    Li este post como uma forma de achar uma resposta à minha dúvida. Não sei se o senhor pode me ajudar, mas vale tentar.

    Meus pais tem uma micro empresa que apresenta ‘problemas’ com seu faturamento, ou seja, a empresa não lucra a bastante tempo e ela acaba sendo a principal fonte de renda da família. Isso afeta bastante em casa. Agora com a declaração de IR, tenho uma dúvida que se refere a isso, o contador da empresa colocava nos IRs anteriores como se meu pai retirasse 1 SM por mês – sendo a mesma coisa para minha mãe, que na verdade não recebe nada da empresa e é Do Lar, mas só tem o nome no contrato social como sócia 50% – no entanto essa renda (em torno de no total 1090,00) não chega nem perto do faturamento mensal da empresa e também muito menos no que é utilizado em casa. Seria declarar um rendimento que não existe.
    Outra informação que eu acho importante é que meu pai é aposentado por idade – e acaba colocando o R$ da aposentadoria para pagar as contas da loja. Ou seja, a aposentadoria não entra em casa ela é utilizada para diminuir as dividas da empresa.

    Depois desses pontos que relatei, acredito que essa atitude do contador não está correta diante desses valores. Já que a declaração de renda é uma forma de comprovar o rendimento dos integrantes da família. Poderá ter problemas futuramente?

    Desde já obrigada pela atenção. Flávia

    • Prezada Flávia

      Penso que não há problemas. Para uma empresa funcionar precisa de pessoas, se a empresa não tem funcionários significa que são os sócios que tocam a empresa, Ora, o trabalho precisa ser remunerado, dai esta retirada prevista pelo contador em forma de pró-labore, que é o pagamento da empresa pelo trabalho dos sócios.

      Mas penso que esse não é o problema maior. Toda empresa tem de dar lucro, a loja também. Por que não está dando ???. Penso que são 3 as possibilidades de não dar lucro.

      - Não está vendendo o volume que precisa vender
      - O preço de venda não recupera os custos e despesas
      - Há custos e despesas que não combinam com este tipo de negócio.

      Agora só temos dois caminhos. Ou corrige estas questões ou fecha a empresa. Continuar no prejuízo sem fazer algo focado para corrigir NÃO É INTELIGENTE.
      Manter o negócio sem uma estratégia de correção é perder dinheiro.

      Corrija as falhas, encerre a empresa, venda a loja ou mude de ramo. Mas ficar apenas esperando melhorar não é atitude de empreendedor.

      Boa sorte.

  8. Pingback: Os sócios e a retirada de dinheiro | Mundo Sebrae

  9. Ola Antonio Carlos, td bem…

    Primeiramente quero parabenizá-lo pela excelente palestra do último sábado na I Virada Empreendedora.

    Pra mim foi muito esclarecedora e resolvi tomar algumas decisões após assisti-lá. Tenho uma clínica de terapias alternativas (massagens orientais, reiki, acupuntura sem agulhas,etc) e percebi o quanto tenho perdido dinheiro principalmente quando os clientes agendam horários e não comparecem.

    Vou acompanhar seus comentários no blog e no twitter.

    Obrigada e boa semana.

    Solange Medeiros

  10. Prezado

    Normalmente as pessoas só querem assumir a parte boa. Ele é sócio mas não no contrato social. Então se for tudo bem ele cobra a parte dele, se for tudo mal também. Ele não é sócio de fato, não tem nada a perder.

    A saída é negociar. Mas cuidado. Empresa que não vende, quebra.

    Boa sorte

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